A feminização do trabalho emancipa, porém precariza

        A fim de encontrar formas de lutar contra as injustiças nos tempos atuais se faz necessário ter em mente as transformações e o momento em que vivemos. Passamos por um contexto histórico em que a mulher ocupa cada vez mais cargos,chegando a elevados postos de trabalho, temos mulheres presidentes, chefes de Estado, reitoras de universidades, porém presenciamos mulheres em condições degradantes de trabalho, atuando basicamente em serviços considerados uma extensão dos trabalhos domésticos, como limpeza e cuidados com idosos.  Para o capitalismo é muito importante que a mulher ocupe o espaço que era do homem, já que a mão de obra é mais barata, vemos isso nas indústrias onde sem tem majoritariamente o emprego de mulheres, entendemos isso como o processo de feminização do trabalho. Na Colômbia, por exemplo, de 1990 a 1997, houve uma diminuição da força de trabalho masculina de 58,6% para 51,9%, enquanto que a feminina cresceu, no mesmo período, de 41,4% para 48,1%. Mas, por outro lado, esse avanço encontra-se hoje fortemente comprometido, na medida em que o capital vem incorporando cada vez mais o trabalho feminino, especialmente nos estratos assalariados industriais e de serviços, de modo crescentemente precarizado, informalizado, sob o regime do trabalho part-time, temporário, etc., preservando o fosso existente, dentro da classe trabalhadora, entre o contingente masculino e feminino. 
        Assim, o processo de feminização do trabalho tem um claro sentido contraditório, marcado pela positividade do ingresso da mulher no mundo do trabalho e pela negatividade da precarização, intensificação a ampliação das formas e modalidades de exploração do trabalho. Enfim, é nessa dialética que a feminização do trabalho, ao mesmo tempo, emancipa, ainda que de modo parcial, e precariza, de modo acentuado. Logo, se faz importante não somente a luta pela igualdade salarial, mas pelo fim da precarização do trabalho, da degradação do trabalho como um todo. Acredito que a luta das mulheres não deve excluir os homens mas unir a classe trabalhadora numa luta conjunta pela superação do capital.  Reflexões do livro: O Trabalho Duplicado. A Divisão Sexual no Trabalho e na  Reprodução, Um Estudo das Trabalhadoras do Telemarketing - Claudia Mazzei Nogueira

 "Si en realidad queremos transformar la vida, tenemos que aprender a mirarla a través de los ojos de las mujeres."( Trotsky)

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